O que tecnologias sustentáveis têm a ver com o Dia Mundial da Água

Nesta sexta-feira, 22, é comemorado o Dia Mundial da Água. A data serve para refletir sobre o fornecimento de água potável ao redor do planeta. No semiárido brasileiro a dificuldade no abastecimento hídrico das famílias também é um ponto a ser lembrado neste dia. O projeto No Clima da Caatinga trabalha essa questão em comunidades do Ceará e Piauí com ações práticas. Três tecnologias sustentáveis são disseminadas para facilitar a rotina sertanejos nesse aspecto. São elas: cisterna de placas; sistema bioágua e barramento base zero.

Das sete tecnologias sustentáveis disseminadas pelo No Clima da Caatinga (barramento base zero, meliponicultura, sistema bioágua, compostagem, fogão ecoeficiente, cisternas de placa e forno solar) as três citadas no parágrafo anterior têm relação direta com o armazenamento e reuso da água. Em uma região onde o período chuvoso dura aproximadamente quatro meses com uma média de precipitação entre 300 e 1000 mm, essas técnicas podem ser a diferença entre a escassez e a abundância. Mas o que essas tecnologias fazem exatamente? Bem, preparamos uma pequeno resumo sobre cada uma delas.

Cisterna de Placas:

As cisternas de placas são grandes depósitos utilizados para armazenar água. Elas são equipadas com um sistema de calhas para aproveitar a água da chuva que escorre dos telhados da casa dos beneficiados. Por ser coberta, essa tecnologia evita a evaporação e impede a contaminação por animais. Cada um desses reservatórios pode guardar até 16 mil litros de água, o suficiente para suprir as necessidades de uma família com cinco integrantes por cerca de oito meses. Até agora a Associação Caatinga já distribuiu 167 cisternas de placas.

Barramento Base Zero:

Barramento base zero é uma tecnologia que busca construir barragens de pedra de até um metro de altura no leito dos rios com o intuito de diminuir a velocidade da correnteza e impedir o fenômeno de assoreamento (acúmulo de terra que interfere na topografia dos rios). Outra característica dessa tecnologia é o aumento do volume de água armazenada nos lençóis freáticos das bacias hidrográficas. Por diminuir a velocidade da correnteza, a água do rio passa mais tempo em contato com o solo e acaba chegando aos lençóis freáticos com mais facilidade. Assim, na época de seca, as famílias têm mais acesso à água potável para o consumo domiciliar e o desenvolvimento de plantações. A Associação Caatinga construiu duas barragens desse tipo no Riacho Melancia na Reserva Natural Serra das Almas.

Sistema Bioágua:

Essa tecnologia consiste na filtragem da “água cinza” ( água usada nos chuveiros, pias e mangueiras da casa) através de um tanque de gordura e um filtro biológico. Durante o processo de limpeza a matéria orgânica presente na água é biodegradada por uma população de microrganismos e minhocas presente no filtro. Após isso a água passa por uma tubulação subterrânea até o tanque de reuso que servirá para irrigar produções de hortaliças, frutas, plantas medicinais, jardins etc. Nove sistemas bioáguas foram distribuídos através da Associação Caatinga.

O Projeto No Clima da Caatinga é realizado pela Associação Caatinga e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e Governo Federal.