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FENOLOGIA E SÍNDROMES DE DISPERSÃO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS OCORRENTES EM UMA ÁREA DE CARRASCO NO PLANALTO DA IBIAPABA, CEARÁ.

27/03/2006 - Sandra Freitas de Vasconcelos.
Dissertação. Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. 2006. - Ano: 2006

Resumo: Estudos fenológicos e sobre síndromes de dispersão têm fundamental importância para o entendimento da ecologia e evolução de espécies e comunidades nos trópicos. No presente trabalho são fornecidos dados acerca da fenologia, tipificação de frutos e
síndromes de dispersão de espécies ocorrentes em uma vegetação de carrasco. O estudo foi realizado de abril/2004 a março/2005 no Planalto da Ibiapaba, Ceará. Foram feitas excursões mensais para coleta de material botânico, observações fenológicas e sobre os frutos. Foram marcados e numerados todos os indivíduos arbustivos e arbóreos ocorrentes em 0,5ha com perímetro no nível do solo ≥ 9cm. Foram amostrados 2790 indivíduos pertencentes a 39 espécies, 29 gêneros e 18 famílias, sendo Leguminosae (12spp.),
Euphorbiaceae e Myrtaceae (com seis spp. cada) as mais representativas. A emissão de brotos foliares foi observada nos primeiros meses do período chuvoso, estando a comunidade com mais de 90% da intensidade foliar de janeiro a maio e chegando a quase
100% em março. Todas as espécies perdem as folhas total ou parcialmente durante os meses de junho a dezembro (período seco). O período de maior intensidade de floração e frutificação ocorreu no final da estação seca e início da chuvosa, coincidindo com o fim do período de perda de folhas e início do brotamento foliar da comunidade. As maioria das espécies apresentou floração (53,8%) e frutificação (61,5%) do tipo anual. Com relação à duração das fenofases, a maior parte das espécies apresentou floração que durou de dois a cinco meses (variando entre um e nove meses), tendo sido registrados períodos ainda mais longos de frutificação. Foi registrada sincronia intra-específica para todas as fenofases estudadas. A maioria das espécies apresentou frutos indeiscentes e os tipos mais observados
foram baga, drupa, e esquizocarpo. Zoocoria foi a síndrome de dispersão mais freqüente (51,61%), seguida de autocoria (25,81%), barocoria com dispersão zoocórica secundária
(16,13%) e anemocoria (6,45%). As espécies zoocóricas, barocóricas e autocóricas apresentam frutificação durante todo o ano, enquanto que as anemocóricas frutificam no fim do período chuvoso e/ou durante o seco, dispersando frutos neste último. Comparando com outras formações estacionais tropicais brasileiras, o Carrasco apresentou comportamento fenológico mais similar ao encontrado no Cerrado do que na Caatinga,
distinguindo-se desta devido a uma maior freqüência de zoocoria, assemelhando-se a formações vegetacionais de climas mais úmidos.

 

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