Queimadas na Caatinga são problemáticas do segundo semestre do ano

Vegetação seca e ventos fortes. Uma combinação severa do segundo semestre do ano para áreas de Caatinga. O bioma é um dos que mais sofrem com as queimadas. A origem do fogo às vezes são indecifráveis mas, algumas ocorrências vêm supostamente da tradicional técnica usada por pequenos agricultores que fazem a limpeza e renovação de pastagens com fogo, eliminação de material lenhoso resultante de desmatamentos, bitucas de cigarros jogadas em beiras de estradas, combustão espontânea, descargas elétricas, atrito entre rochas e até atrito de pêlos de alguns animais com a mata seca.

Um desses incêndios aconteceu na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Serra das Almas, em Crateús. De acordo com Gilson Miranda, Coordenador de Conservação da Associação Caatinga, o fogo foi detectado no sábado, 06 de outubro, e controlado na tarde do domingo. “A noite, com a temperatura mais baixa e sem vento o fogo diminui, o que tornou menos difícil controlar o incêndio, então, logo no outro dia já estávamos em total controle da situação, afirma.”

As consequências ainda não foram mensuradas e avaliadas, no entanto, se conclui que o incêndio ocorrido trouxe prejuízos para a fauna e flora da Caatinga local. Gilson ressalta ainda que “toda a atenção que temos com a Caatinga pode ser perdida por irresponsabilidade de algumas pessoas, atear fogo em plantações pode ocasionar um acidente de grandes proporções”.

A caatinga está agonizando com secas frequentes e prolongadas, 2011 a 2015 se consolida como a maior seca dos últimos 50 anos, consequentemente com perda de grande quantidade de vegetação nativa, animais e aves silvestres que também não resistem, o ressecamento dos aquíferos subterrâneos, com crise hídrica sem precedentes. Paralelamente, a ação antrópica com desmatamento, queimadas, caça predatória e uso indiscriminado de outros recursos naturais.

Nesta fase de estiagem prolongada, redobram-se os cuidados especialmente por parte dos agricultores no tocante ao manejo de fogo na sua propriedade. Na situação atual não se admite tocar fogo em coivaras (ramos a que se põe fogo para limpar terrenos) ou em pequenas brocas, qualquer hora do dia, e sem as devidas precauções que qualquer agricultor conhece. Tomar medidas preventivas evitará outros desastres ambientais.