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Reconhecida como “Árvore da Vida” e símbolo do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, a carnaúba ganhou novo destaque no Assentamento Aragão, comunidade rural localizada no município de Miraíma, a cerca de 191 km de Fortaleza. A Associação Caatinga realizou, na comunidade, uma oficina sobre mapeamento participativo do carnaubal, uma metodologia que envolve os moradores na identificação coletiva do território a partir de seus próprios conhecimentos. O processo resultou na criação de um mapa que reúne as principais características do carnaubal, desafios e potencialidades da área.

A oficina apresentou o mapeamento participativo como ferramenta de fortalecimento territorial. Os moradores construíram coletivamente um mapa da área produtiva, que depois foi transferido para imagens de satélite. Foram identificadas características do carnaubal da comunidade, como áreas de carnaubais adensados e espaçados, focos de infestação da planta conhecida como unha-do-diabo, rotas de uso coletivo, o secador solar e zonas com potencial de recuperação ambiental. Além disso, foram identificados outros potenciais da comunidade, como recursos hídricos, áreas de cultivo e atuação do coletivo de artesãs. O levantamento permitiu gerar um diagnóstico territorial para orientar as próximas ações do projeto.

As atividades foram realizadas por meio do projeto “Carnaúba Sustentável: Qualificação e Desenvolvimento Socioprodutivo nos Pequenos Negócios Rurais”, que é realizado pela Associação Caatinga e que conta com o apoio do Sindcarnaúba e o patrocínio do Sebrae e da Fiec.

O projeto busca fortalecer a cadeia produtiva da carnaúba por meio de formações, capacitações e assessoramento técnico. O objetivo é promover organização, produtividade e sustentabilidade nos pequenos negócios rurais da região, para combater desafios históricos enfrentados pela cadeia produtiva, como informalidade, falta de capacitação técnica e ausência de rastreabilidade, fatores que dificultam o crescimento sustentável da atividade.

Francisco José Paiva Sousa, morador do Assentamento Aragão e participante da oficina, reforçou a importância do projeto para a organização comunitária e o fortalecimento da cadeia produtiva local. “O principal desafio da produção é organizar os trabalhadores do carnaubal e continuar vendendo nosso produto com qualidade, sem atravessador. Estamos na luta e torcendo para continuar organizados quando o projeto terminar”, afirmou.

Samuel Portela, biólogo e coordenador de conservação da biodiversidade da Associação Caatinga, destacou que “o resultado desse mapeamento será comparado ao levantamento feito com o uso de drone, atualmente em fase de aprimoramento, e que, em breve, poderá quantificar o número de plantas de carnaúba por meio de identificação via inteligência artificial. A partir disso, será possível estimar o volume que cada carnaubal poderá produzir por safra.”

A atividade também destacou o papel das mulheres do assentamento na produção artesanal com palha de carnaúba. Além de reconhecer saberes tradicionais, a iniciativa reforçou a importância social da cadeia produtiva, que gera renda, valoriza o trabalho feminino e fortalece a economia das famílias em situação de vulnerabilidade.

Próximas etapas do projeto

As etapas do projeto “Carnaúba Sustentável” incluem a continuidade das capacitações e do acompanhamento técnico, que têm fortalecido a comunidade na adoção de boas práticas ambientais e produtivas. Esse apoio tem contribuído para a implementação das fichas de rastreabilidade nas safras e para o monitoramento das áreas mapeadas.

Além disso, o mapeamento do carnaubal é essencial para aprimorar processos de rastreabilidade que, futuramente, podem resultar na emissão de certificações da produção. O levantamento também permite uma identificação mais precisa das necessidades locais, como o controle da unha-do-diabo e a definição de áreas estratégicas para recuperação ambiental.

Projeto Carnaúba Sustentável

O projeto tem como objetivo geral qualificar a cadeia produtiva da carnaúba por meio de processo educativo e de capacitação, com o incremento de organização e produtividade em negócio rural de uma comunidade carnaubeira, a fim de constituir uma experiência modelo, com potencial de replicabilidade. Dentre os objetivos específicos do projeto e os resultados esperados, estão:

  • Mobilização e engajamento da comunidade nas ações de qualificação da cadeia da carnaúba;
  • Capacitação de pequenos produtores em mapeamento participativo e rastreabilidade (mapeamento do ciclo de vida do produto);
  • Construção coletiva de um mapa do carnaubal, que orientará futuras ações e estratégias produtivas;
  • Elaboração de fichas de controle de rastreabilidade;
  • Planejamento participativo da safra, com foco em sustentabilidade, transparência e valorização produtiva.