A Associação Caatinga deu início às atividades do projeto “Carnaúba Viva: inovação, agroecologia e desenvolvimento socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas” com a realização dos primeiros encontros em comunidades rurais do município de Granja.
As reuniões de apresentação do projeto e construção dos planos de ação comunitários, aconteceram nos dias 25 e 26 de março, nos assentamentos Ibuassu Velho e Jaguarapi, respectivamente (duas localidades reconhecidas pela forte atuação no extrativismo da palha de carnaúba). Os encontros marcaram o início de uma série de atividades que serão desenvolvidas ao longo de 2026 e início de 2027.
O projeto “Carnaúba Viva” tem como objetivo fortalecer a cadeia produtiva da carnaúba e os processos socioprodutivos no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas, unidade de conservação com mais de 10 mil hectares situada entre os municípios de Granja e Viçosa do Ceará. Na região, diversas famílias dependem diretamente da extração da palha como fonte de renda e sustento.
Com duração de 18 meses, o Carnaúba Viva irá beneficiar diretamente pelo menos 95 famílias, por meio de capacitações técnicas, assessoria administrativa, incentivo a práticas agroecológicas, implementação de tecnologias sociais e atividades de educação ambiental.
Segundo Rayana Silva, analista de projetos socioambientais da Associação Caatinga, o início das atividades representa um momento importante para o projeto e para as comunidades envolvidas. “Estamos muito animadas em realizar essas atividades nessas comunidades e esperamos que elas se tornem modelos para toda a cadeia produtiva da carnaúba”, destaca.
Fortalecimento produtivo e desenvolvimento sustentável
A iniciativa busca integrar inovação social, geração de renda e conservação ambiental. Entre as ações previstas estão oficinas sobre manejo sustentável da carnaúba, controle de espécies invasoras, rastreabilidade de produtos, gestão, cooperativismo e práticas de manejo do fogo.
O projeto também prevê a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs), que melhoram as condições de trabalho, e a implantação de um secador solar, que aumenta a eficiência no beneficiamento do pó da carnaúba.
As atividades estão organizadas em três eixos principais: fortalecimento da cadeia produtiva, inclusão socioprodutiva com base na agroecologia e educação ambiental com foco no protagonismo juvenil.
Impactos esperados
Entre os resultados esperados estão a qualificação de dois assentamentos extrativistas (Ibuassu Velho e Jaguarapi) e a difusão de boas práticas produtivas entre trabalhadores da cadeia da carnaúba.
A iniciativa também pretende ampliar a geração de renda nas comunidades, fortalecer a autonomia de mulheres por meio dos quintais produtivos e incentivar a adoção de práticas agroecológicas.
Outro resultado esperado é o engajamento de crianças e jovens em ações de educação ambiental, com foco na valorização do território e na conservação da biodiversidade local.
Realização, financiamento e coordenação
O projeto Carnaúba Viva: inovação, agroecologia e desenvolvimento socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas é realizado pela Associação Caatinga e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre). A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como agência executora.








