A Associação Caatinga acaba de lançar o projeto “Carnaúba Viva: Inovação, Agroecologia e Desenvolvimento Socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas”, uma iniciativa que busca fortalecer a cadeia produtiva da carnaúba e promover o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais do município de Granja, no Ceará.
O Parque Estadual das Carnaúbas é uma unidade de conservação localizada entre os municípios de Granja e Viçosa do Ceará, com uma área de 10.005,048 hectares. Em seu entorno, vivem comunidades rurais que têm no extrativismo da palha da carnaúba uma importante fonte de renda e sustento, e é justamente nessas localidades que o projeto será desenvolvido.
Com duração de 18 meses, o projeto será realizado prioritariamente no município de Granja. Ao todo, pelo menos 95 famílias serão acompanhadas por meio de ações de capacitação, assessoria técnica, práticas agroecológicas, implementação de tecnologias sociais e atividades de educação ambiental.
Fortalecimento da cadeia da carnaúba e geração de renda
O “Carnaúba Viva” tem como objetivo central fortalecer os processos socioprodutivos ligados à carnaúba, além de integrar inovação social, educação ambiental e práticas produtivas baseadas na agroecologia. A proposta é ampliar, dentro das comunidades, a geração de renda, a valorização do território e o incentivo ao protagonismo de mulheres e jovens.
”A proposta é ampliar, dentro das comunidades, a geração de renda, a valorização do território e o incentivo ao protagonismo de mulheres e jovens.
Entre as principais ações do projeto estão a realização de oficinas e consultorias técnicas sobre manejo sustentável, controle de espécies invasoras (como a unha-do-diabo), rastreabilidade de produtos, gestão, cooperativismo e associativismo, além de práticas de manejo do fogo.
Também estão previstas a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs), que contribuem para melhores condições de trabalho, e a implantação de um secador solar, tecnologia que traz mais eficiência para o beneficiamento do pó da carnaúba.
Eixos de atuação do projeto
O projeto está estruturado em três eixos principais:
Eixo 1 – Fortalecimento da cadeia produtiva da carnaúba
Inclui capacitação técnica de extrativistas, adoção de boas práticas ambientais e de segurança no trabalho, introdução de tecnologias (como o secador solar), além do apoio ao beneficiamento e à comercialização direta dos produtos.
Eixo 2 – Inclusão socioprodutiva e agroecologia
Prevê a implantação de quintais agroecológicos, sistemas de reuso de água (bioágua) e a implantação de um roçado agroecológico coletivo. As ações priorizam o protagonismo feminino, a diversificação produtiva e o fortalecimento da segurança alimentar.
Eixo 3 – Educação ambiental e ecoprotagonismo juvenil
Envolve campanhas de sensibilização, trilhas educativas no Parque Estadual das Carnaúbas e atividades em escolas, aproximando crianças e jovens da biodiversidade e da cultura local.
Impactos esperados
Entre as metas do projeto estão:
- Qualificar dois assentamentos extrativistas em manejo sustentável da carnaúba;
- Beneficiar 44 trabalhadores com a difusão de boas práticas;
- Implantar uma unidade modelo com uso de secador solar;
- Fortalecer 10 quintais produtivos com protagonismo feminino;
- Instalar quatro sistemas de reuso de águas cinzas (bioágua);
- Estruturar um roçado agroecológico coletivo;
- Capacitar pelo menos 30 agricultores em agroecologia;
- Envolver 50 crianças e jovens em ações de educação ambiental.
Realização, financiamento e coordenação
O projeto Carnaúba Viva: Inovação, Agroecologia e Desenvolvimento socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas é realizado pela Associação Caatinga e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), que é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – Funbio como agência executora.


