As atividades de campo do projeto “Mais Caatinga: restaurando serviços ecossistêmicos e promovendo a sociobioeconomia” têm avançando no entorno do Parque Nacional da Furna Feia (PARNA), no Rio Grande do Norte. Em janeiro e fevereiro, equipes da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), em parceria com a Associação Caatinga, realizaram reuniões com moradores das comunidades Serra Mossoró, Recanto da Esperança e Bom Destino, localizadas no município de Mossoró e vizinhas ao Parque.
Ao todo, cerca de 45 pessoas participaram dos encontros, que tiveram o objetivo de apresentar o projeto, suas etapas e fortalecer o envolvimento das comunidades. O “Mais Caatinga” prevê a restauração de 100 hectares de áreas degradadas dentro do PARNA, além da geração de renda local, a partir do estímulo da produção de mudas por parte das famílias moradoras das comunidades.
”Hoje a gente entende que não existe restauração florestal sem a participação direta das comunidades. Elas devem ser protagonistas do processo, desde a produção de mudas até a construção das soluções no território.
Allan Cauê de Holanda, coordenador científico do projeto.
Restauração que começa pela semente
Durante as reuniões, a equipe técnica do projeto apresentou as diferentes etapas do projeto e discutiu como as comunidades podem colaborar diretamente com as ações de restauração.
Um dos eixos centrais do projeto é o fortalecimento da cadeia produtiva da restauração, com foco na coleta de sementes e na produção de mudas de espécies nativas da Caatinga.
A proposta prevê que as próprias comunidades realizem a produção das mudas, com assistência técnica e supervisão do projeto. Ao final do processo, essas mudas serão adquiridas pelo projeto e utilizadas nas ações de restauração florestal dentro do Parque Nacional da Furna Feia.
“Para ter uma muda de qualidade, a gente precisa começar pela essência, que é a semente. Todo esse processo, da coleta à produção, será acompanhado tecnicamente, garantindo qualidade ecológica e, ao mesmo tempo, geração de renda para as comunidades”, destaca Allan.
Capacitações e sociobioeconomia
Além da restauração florestal, o projeto também prevê cursos e capacitações voltados à sociobioeconomia, com foco em temas como apicultura, meliponicultura e a importância das abelhas para o meio ambiente, para a polinização e para a produção de sementes.
As formações buscam ampliar as oportunidades de geração de renda associadas à conservação e fortalecer o vínculo entre a proteção da Caatinga e a melhoria da qualidade de vida das famílias que vivem no entorno do Parque.
”As comunidades que vivem nas adjacências do Parque são fundamentais para o sucesso da restauração.
Valorizar e envolver quem convive diariamente com o território é uma medida decisiva para garantir o potencial de transformação proposto pelo projeto, a perpetuidade do impacto gerado e fortalecer a conservação da Caatinga”, afirma Marília Nascimento, gerente de programas socioambientais da Associação Caatinga.
Avanço técnico no Parque Nacional da Furna Feia
Paralelamente ao trabalho com as comunidades, as equipes técnicas também avançam nas atividades dentro do Parque Nacional da Furna Feia. Uma das ações realizadas foi a visita de campo para iniciar o zoneamento das áreas que receberão os plantios de restauração.
Nesse momento, foram identificados atributos físicos e biológicos do território, fundamentais para orientar o planejamento das ações futuras. As informações levantadas vão servir de base para o desenvolvimento dos planos de restauração específicos para cada área.
O próximo passo será a produção do inventário florístico, que irá mapear as espécies arbustivas e arbóreas existentes no Parque.
“Todo o planejamento da restauração é fundamentado nas informações que estamos levantando no próprio Parque. As espécies que vamos utilizar respeitam os princípios ecológicos da sucessão vegetal e partem da realidade local”, explica o coordenador científico.
Realização
O projeto ‘Mais Caatinga: restaurando serviços ecossistêmicos e promovendo a sociobioeconomia’ é realizado pela Associação Caatinga e pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), com financiamento do Edital Caatinga Viva – Floresta Viva. O Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destinada a apoiar projetos de restauração ecológica nos biomas brasileiros. O edital ‘Apoio à Restauração Ecológica e Fortalecimento da Cadeia Produtiva da Restauração em Unidades de Conservação da Caatinga e suas áreas de influência’ conta com apoio do BNDES e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e tem o FUNBIO como parceiro gestor.


