Pesquisa identifica a presença da Maria-do-nordeste no Ceará

Por onde anda a Maria-do-nordeste no Ceará? Essa foi a pergunta que motivou a pesquisa da bióloga e doutora em Ecologia e Evolução Flávia Guimarães, e refere-se a ocorrência da espécie Hemitriccus mirandae no território cearense, uma ave endêmica do Nordeste.

O estudo foi realizado em parceria com a Associação Caatinga e patrocinado pela Fundação Grupo O Boticário de Proteção à Natureza, ocorrendo entre Setembro de 2016 e Agosto de 2017. A pesquisa registrou a espécie em novas localidades, como a Serra de Itatira, mas também notificou a extinção em outros locais, como na Serra de Uruburetama, cujo último registro documentado é de 2007. Ao todo, a ave foi observada em 13 cidades durante a pesquisa.

A partir do estudo, a população da maria-do-nordeste foi estimada entre 4.919 – 13.300 e categorizada como “Em Perigo” de extinção, sendo a perda do habitat natural uma das causas mais evidentes para seu o desaparecimento.

A reavaliação do status de conservação da espécie (que está em pior situação do que anteriormente estimado) é substancial como justificativa para criação de novas áreas de proteção ambiental.

Segundo a descrição do relatório final do projeto, o principal impacto do trabalho foi informar à sociedade sobre a ocorrência da espécie e sua importância como um todo para a manutenção do ecossistema. Por isso foram realizadas, durante a pesquisa, atividades de sensibilização ambiental com a população dos municípios com ocorrência confirmada da espécie, atingindo cerca 600 pessoas.

Maria-do-nordeste

Hemitriccus mirandae (Maria-do-nordeste) é uma espécie endêmica do Nordeste, sendo registrada principalmente em algumas serras do Ceará e com registros pontuais para os estados da Paraíba e Pernambuco. A ave ocorre principalmente em brejos de altitude e áreas de carrasco, um tipo de vegetação da Caatinga, que são locais sujeitos a exploração imobiliária.

Um dos objetivos principais da pesquisa, segundo a descrição do projeto, foi conhecer a distribuição geográfica da espécie. Essa informação pode funcionar como indicador de áreas prioritárias para conservação, possibilitando a escolha de estratégias de manutenção de biodiversidade.

Foto: Marcelo Holderbaum