A Associação Caatinga realizou, nos dias 28 e 29 de julho, ações de incentivo à agroecologia nos quintais produtivos de moradores do Assentamento Ibuassu Velho, na zona rural de Granja (CE). A iniciativa faz parte do projeto Carnaúba Viva e reuniu 15 mulheres com o objetivo de fortalecer a produção agroecológica de alimentos, ampliar a autonomia produtiva e valorizar o protagonismo feminino na gestão de quintais produtivos (espaço onde a família cultiva hortas, mantém pequenas criações de animais e faz plantações voltadas tanto para o consumo próprio quanto para a venda).
Visitas técnicas mapeiam a realidade dos quintais
No primeiro dia, a equipe técnica da Associação Caatinga visitou os quintais produtivos das famílias do assentamento. Além de conhecer a realidade de cada espaço, as visitas permitiram ouvir as experiências, os desafios e as potencialidades das agricultoras, o que contribuiu para um diagnóstico participativo que orientará o acompanhamento técnico ao longo do projeto.
As visitas também tiveram um papel importante no reconhecimento do trabalho feminino. São as mulheres que cuidam, na maior parte do tempo, do plantio e da manutenção dos quintais produtivos da família. Trata-se de um trabalho muitas vezes invisibilizado, mas essencial para garantir a segurança alimentar das famílias e para a autonomia econômica da comunidade.
Oficinas ensinam práticas de agroecologia
No segundo dia, foram realizadas duas oficinas voltadas ao fortalecimento dos quintais produtivos por meio de práticas agroecológicas. As atividades abordaram o diagnóstico e o planejamento dos quintais, o manejo ecológico do solo, o controle natural de insetos e doenças, a adubação orgânica, a diversificação da produção e o uso de tecnologias sociais simples e de baixo custo, capazes de ampliar a produção de alimentos saudáveis, reduzir custos e fortalecer a autonomia das famílias.
Encerrando as atividades, as participantes prepararam coletivamente um biofertilizante utilizando insumos disponíveis nas próprias propriedades, como leite, cinzas, cascas de ovos e esterco animal. A prática demonstrou como o aproveitamento de recursos locais fortalece a fertilidade do solo, reduz a dependência de insumos externos e torna os sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis.
Para Fernanda Santos, moradora do assentamento, o quintal produtivo já é motivo de orgulho: “O meu quintal hoje é a minha maior conquista e eu quero futuramente transformá-lo em uma fonte de renda”, conta esperançosa.
Sobre o biofertilizante aprendido durante as oficinas, Fernanda destacou a importância da técnica para manter as plantas saudáveis e livres de fungos, tornando-as próprias tanto para o consumo da família quanto para uma futura fonte de renda. Ela também compartilhou o sonho de expandir o espaço e formar um jardim na frente de casa.
Para Rayana Vanessa, Analista de projetos socioambientais da Associação Caatinga, os quintais produtivos “são territórios estratégicos para o fortalecimento das mulheres, onde elas conseguem conciliar o cuidado com a família, a produção de alimentos, a geração de renda e o cuidado com a vida.”
Rayana também destaca o papel dos quintais na preservação de saberes locais e na promoção da segurança e soberania alimentar. “Nosso objetivo é fortalecer esses quintais a partir dos princípios da agroecologia, valorizando os conhecimentos das agricultoras e construindo soluções junto com elas, para ampliar sua autonomia, seu protagonismo e sua capacidade de transformar suas próprias realidades”, afirma.
Momento para as crianças
Enquanto as mães participavam das oficinas, as crianças do assentamento tiveram sua própria programação, com brincadeiras e atividades lúdicas sobre o cuidado com a natureza. A proposta foi aproximar os pequenos do lugar onde vivem e despertar, desde cedo, o interesse pelo meio ambiente.
A ação também resolve um problema prático: muitas mães não têm com quem deixar os filhos durante o dia, o que dificultaria sua ida às oficinas. Por isso, a Associação Caatinga organiza esse momento para as crianças, com o intuito de permitir que as mães participem integralmente do momento.
Realização, financiamento e coordenação
O projeto Carnaúba Viva: inovação, agroecologia e desenvolvimento socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas é realizado pela Associação Caatinga e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre). A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como agência executora.






















