O projeto “Carnaúba Viva: Inovação, Agroecologia e Desenvolvimento Socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas” busca fortalecer a cadeia produtiva da carnaúba e promover o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais por meio da integração entre inovação, agroecologia e protagonismo comunitário.
As ações serão desenvolvidas no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas, com foco em dois assentamentos rurais do município de Granja, no Ceará, onde famílias agricultoras e extrativistas têm na carnaúba uma importante fonte de renda, especialmente no período de estiagem.
O Parque Estadual das Carnaúbas é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral localizada entre os municípios de Granja e Viçosa do Ceará, no noroeste do estado, com uma área de 10.005,048 hectares. Inserido na região do planalto da Ibiapaba, o território abriga nascentes, biodiversidade relevante e espécies ameaçadas, sendo estratégico para a conservação da Caatinga.
Para fortalecer a produção local e ampliar a geração de renda de forma sustentável, o projeto prevê a qualificação de assentamentos extrativistas e de agricultores e trabalhadores da cadeia da carnaúba em boas práticas de manejo e produção. Também serão implantadas tecnologias sociais e soluções voltadas à convivência com o semiárido, como um secador solar para a secagem rápida de palhas de carnaúba e sistemas bioágua para o reaproveitamento de águas cinzas. As ações incluem ainda o fortalecimento de quintais produtivos, a estruturação de um roçado agroecológico coletivo e atividades de educação ambiental para crianças e jovens das comunidades.
O projeto é realizado pela Associação Caatinga e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como agência executora.
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e uma das regiões semiáridas mais populosas e biodiversas do mundo. Apesar de sua importância ecológica, social e econômica, mais da metade de sua vegetação nativa já foi degradada, principalmente em decorrência do desmatamento e do uso inadequado do solo.
Nos últimos anos, o bioma tem figurado entre os mais afetados pela degradação ambiental no Brasil, com destaque para o estado do Ceará, onde os índices de desmatamento continuam em crescimento. Esse cenário gera impactos diretos como perda de biodiversidade, empobrecimento do solo, insegurança hídrica e redução da qualidade de vida das populações locais.
Embora as Unidades de Conservação desempenhem papel fundamental na proteção desses territórios, apenas uma pequena parcela da Caatinga está oficialmente protegida, o que reforça a necessidade de iniciativas complementares de conservação e uso sustentável dos recursos naturais.
Nesse contexto, o extrativismo da carnaúba se destaca como uma atividade tradicional e estratégica para a agricultura familiar no semiárido. Além de gerar renda no período seco, a palmeira desempenha funções ecológicas importantes, como proteção do solo, conservação de recursos hídricos e oferta de abrigo e alimento para a fauna.
No entanto, a cadeia produtiva da carnaúba ainda enfrenta desafios significativos, como manejo inadequado, baixa valorização do produto, limitações de acesso à tecnologia e condições de trabalho precárias. Diante disso, o projeto “Carnaúba Viva” surge como uma resposta integrada a esses desafios, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais, o fortalecimento das comunidades e a conservação da biodiversidade no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas.
Fortalecer a cadeia produtiva da carnaúba e os processos socioprodutivos no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas, por meio da inovação social, da educação ambiental e da aplicação de tecnologias sociais com base na agroecologia, visando à geração de renda, à valorização do território e ao empoderamento de mulheres e jovens.



