A Associação Caatinga (AC) deu continuidade às ações do projeto “Carnaúba Viva: inovação, agroecologia e desenvolvimento socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas” com a realização de Diagnósticos Rurais Participativos (DRP) e atividades voltadas ao público feminino em comunidades rurais de Granja.
As ações aconteceram nos assentamentos Ibuassu Velho e Jaguarapi, dando sequência ao plano de ação construído coletivamente com as comunidades na etapa inicial do projeto. Os encontros tiveram como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a realidade local e orientar a execução das próximas atividades de forma alinhada às demandas e potencialidades de cada território.
De acordo com Cássia Pascoal, coordenadora de educação ambiental e relacionamento comunitário da AC, o DRP “é uma metodologia que promove uma escuta ativa e o protagonismo das comunidades, o que permite uma análise coletiva sobre aspectos sociais, produtivos e ambientais da região onde essas famílias moram”. No assentamento Ibuassu Velho, a atividade contou com a participação de 32 pessoas, entre trabalhadores da carnaúba, mulheres, artesãs, crianças e jovens. No assentamento Jaguarapi, participaram 26 pessoas.
Durante o encontro, foram utilizadas ferramentas participativas como a construção de uma linha do tempo, que resgatou marcos importantes da história da comunidade e documentou conquistas e desafios enfrentados ao longo dos anos. Também foi realizado o mapeamento participativo, em que os próprios moradores representaram o território a partir de seu olhar e apontaram espaços relevantes, como áreas de produção, fontes de água, moradias e estruturas comunitárias.
Outra ferramenta aplicada foi a matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), que permitiu aos participantes refletir sobre os principais aspectos internos e externos que influenciam a realidade do assentamento e, assim, definir estratégias para fortalecer a comunidade e a cadeia produtiva da carnaúba.
No assentamento Jaguarapi, o DRP também foi realizado com o uso das mesmas metodologias, mas com um direcionamento mais específico para a cadeia produtiva da carnaúba, principal atividade econômica local. O momento foi marcado pela troca de experiências e pela valorização da trajetória da comunidade, com o resgate de memórias de desafios e conquistas que ajudaram a construir o cenário atual.
“As ações do projeto partem da escuta e da participação ativa das comunidades. A partir dos diagnósticos, conseguimos compreender melhor cada realidade e direcionar as próximas atividades de forma mais eficiente”, destaca Cássia Pascoal.
Protagonismo feminino e quintais produtivos
Além dos diagnósticos, o projeto também iniciou as atividades voltadas às mulheres da comunidade de Ibuassu Velho. A ação começou com uma roda de conversa, que abriu um espaço de escuta, troca e fortalecimento de vínculos entre as participantes. Durante o encontro, foram abordados temas como amor-próprio, autocuidado, união entre as mulheres e a importância do protagonismo feminino no contexto comunitário.
A iniciativa integra uma das linhas do projeto dedicada ao fortalecimento de quintais produtivos agroecológicos, cuja implementação está prevista para as próximas etapas, aliada à promoção do empoderamento feminino das mulheres da comunidade.
Ao longo da atividade, foi destacada a relevância dos quintais produtivos como instrumentos de transformação social, que contribuem para a geração de renda, fortalecem a autonomia das mulheres, promovem inclusão socioprodutiva, bem-estar social e oferecem benefícios ambientais, terapêuticos e de lazer.
Realização, financiamento e coordenação
O projeto Carnaúba Viva: inovação, agroecologia e desenvolvimento socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas é realizado pela Associação Caatinga e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre). A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como agência executora.











