Em outubro deste ano, o projeto Carnaúba Viva realizou oficinas nos assentamentos Jaguarapi e Ibuassu Velho, em Granja, no Ceará. As atividades trataram da rastreabilidade do pó de carnaúba, do planejamento da safra de 2026 e do aproveitamento da palha para a produção de artesanato.
O projeto Carnaúba Viva busca fortalecer a cadeia produtiva da carnaúba e os processos socioprodutivos no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas, por meio da inovação social, da educação ambiental e da multiplicação de tecnologias sociais com base na agroecologia, visando à geração de renda, à valorização do território e ao empoderamento de mulheres e jovens.
Rastreabilidade contribui para valorizar o pó de carnaúba
Inicialmente, trabalhadores da carnaúba do assentamento Jaguarapi participaram de uma oficina sobre rastreabilidade e certificação. Com a safra de 2026 já iniciada, a atividade apresentou formas de registrar informações sobre as etapas de extração e beneficiamento do pó.
A coordenadora de Educação Ambiental e Relacionamento Comunitário, Cássia Pascoal, destaca a importância da rastreabilidade para conhecer o processo de produção. Para ela, um dos objetivos da oficina foi “entender o caminho que o pó da carnaúba faz desde sua extração até o consumo final pela sociedade”.
A coordenadora também destacou como essas informações “contribuem para agregar valor ao produto final e ampliar a confiança dos compradores na qualidade do pó e nas boas práticas adotadas pelos trabalhadores durante a extração e o beneficiamento”.
Durante a atividade, a equipe da Associação Caatinga apresentou fichas de rastreabilidade que vão reunir dados sobre a safra, a mão de obra, os custos e outras informações necessárias à identificação dos lotes de pó de carnaúba comercializados em 2026.
Secador solar amplia possibilidades de aproveitamento da palha
A equipe esteve no assentamento Ibuassu Velho para tratar da preparação da safra e do uso do secador solar, tecnologia implantada recentemente na comunidade. O equipamento é uma estrutura semelhante a uma estufa, coberta por um material plástico branco, que utiliza o calor do sol para acelerar a secagem das palhas de forma mais protegida, o que confere maior qualidade ao produto final
Dentro do secador, as palhas são estendidas em varais, reduzindo a exposição a impurezas. Após a secagem, a retirada do pó é feita com o auxílio de uma derriçadeira (equipamento utilizado para desprender o pó cerífero das folhas), tornando o trabalho mais rápido e menos desgastante. Além de preservar a palha da carnaúba inteira, que servirá de matéria prima para a produção de artesanato.
Na comunidade, a tecnologia irá apoiar as atividades da safra de 2026 e ampliar as possibilidades de aproveitamento da palha da carnaúba.
A equipe da Associação Caatinga também se reuniu com o grupo de mulheres apoiadas pelo projeto Carnaúba Viva. A reunião abordou o fortalecimento dos quintais produtivos (espaços de cultivo das famílias), a previsão de implantação de quatro sistemas de bioágua para o reaproveitamento da água na agricultura familiar e o acompanhamento técnico.
Outro tema foi a participação das mulheres no beneficiamento da palha e na produção de artesanato. Cássia ressaltou que a discussão mobilizou a comunidade sobre “como isso pode potencializar o assentamento e em especial o grupo de mulheres, com a produção de artesanato e o complemento da renda”.
A iniciativa busca ampliar o aproveitamento da matéria-prima e criar oportunidades para o envolvimento das mulheres em outras etapas da atividade carnaubeira.
Trabalhadores recebem equipamentos para a safra de 2026
Em outro momento, os trabalhadores de Ibuassu Velho participaram de uma oficina sobre rastreabilidade, com orientações para o registro das informações da produção. O grupo também recebeu equipamentos de proteção individual (EPIs) para garantir a segurança no trabalho de extração do pó, seja no campo ou no uso do secador solar.
O projeto Carnaúba Viva: Inovação, Agroecologia e Desenvolvimento socioterritorial no entorno do Parque Estadual das Carnaúbas é realizado pela Associação Caatinga e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), que é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – Funbio como agência executora.







