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O projeto “Mais Caatinga: restaurando serviços ecossistêmicos e promovendo a sociobioeconomia” segue avançando em suas atividades no entorno do Parque Nacional da Furna Feia, no Rio Grande do Norte. Nos últimos meses, a iniciativa concluiu diagnósticos técnicos e socioambientais, realizou ações de educação ambiental em escolas da zona rural e firmou parcerias com comunidades locais para a produção de mudas.

Realizado pela Associação Caatinga em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), o projeto é desenvolvido no Parque Nacional da Furna Feia, unidade de conservação com 8.517,63 hectares localizada entre os municípios de Mossoró e Baraúna (RN). A iniciativa tem como objetivo recuperar 100 hectares de áreas perturbadas* e fortalecer a sociobioeconomia das comunidades do entorno.

*Áreas perturbadas são espaços que sofreram algum grau de degradação, mas ainda conservam capacidade de regeneração natural, podendo se recuperar com menor intervenção humana.

Diagnóstico mapeia uso da Caatinga pelas comunidades

Em março de 2026, a equipe do projeto concluiu o diagnóstico socioambiental das comunidades de Bom Destino, Recanto da Esperança e Serra Mossoró, localizadas no entorno do Parque Nacional da Furna Feia, com a aplicação de questionários a 26 famílias. O levantamento mostrou que os moradores dependem da Caatinga para a sua sobrevivência e para o manejo das suas atividades produtivas.

O estudo identificou ainda que grande parte das famílias desconhece a legislação ambiental e as linhas de crédito florestal disponíveis, e ainda não teve acesso a orientações técnicas voltadas ao manejo sustentável dos recursos da Caatinga. Também foi registrada uma forte percepção local sobre os efeitos das mudanças climáticas, especialmente o aumento do calor, e sobre a degradação ambiental da região.

Apesar da falta de experiência prévia em restauração, o diagnóstico apontou grande interesse das famílias em participar das ações do projeto, sobretudo por meio de cursos, oficinas e apoio com sementes e mudas. Esses fatores devem ser centrais para o engajamento comunitário nas próximas etapas.

Comunidades vão produzir mudas para a restauração do parque

O projeto também avançou na parceria com comunidades locais e viveiros para a produção das mudas que serão usadas na restauração das áreas degradadas do parque. Ao todo, serão produzidas 20 mil mudas: as comunidades rurais de Recanto da Esperança e Serra Mossoró ficarão responsáveis pela produção de 5 mil mudas cada uma, totalizando 10 mil unidades, enquanto o viveiro Flor da Caatinga, em parceria com o projeto, produzirá as 10 mil restantes. As mudas produzidas serão compradas pelo projeto, o que deve gerar renda para as famílias envolvidas e ampliar o envolvimento da população nas ações de conservação.

Novos estudos vão orientar as ações de restauração

Está em elaboração o estudo fitossociológico, que vai caracterizar a composição, estrutura e distribuição da vegetação da área, orientando a seleção das espécies mais adequadas para a restauração. Em paralelo, o diagnóstico socioambiental aprofunda a compreensão das características sociais, econômicas e ambientais das comunidades envolvidas, de forma a alinhar as ações do projeto à realidade local.

Educação ambiental chega a escolas da zona rural de Mossoró

As ações de educação ambiental também têm continuidade nas escolas da zona rural de Mossoró. A Escola Municipal Genildo Miranda recebeu uma palestra em alusão ao Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, atividade que também foi realizada na Escola Municipal Elias Sales. O objetivo foi sensibilizar a comunidade escolar sobre a conservação da Caatinga e o fortalecimento de práticas sustentáveis.

Realização e apoio

O projeto “Mais Caatinga: restaurando serviços ecossistêmicos e promovendo a sociobioeconomia” é realizado pela Associação Caatinga e pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), com financiamento do Edital Caatinga Viva – Floresta Viva. O Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destinada a apoiar projetos de restauração ecológica nos biomas brasileiros. O edital “Apoio à Restauração Ecológica e Fortalecimento da Cadeia Produtiva da Restauração em Unidades de Conservação da Caatinga e suas áreas de influência” conta com apoio do BNDES e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e tem o FUNBIO como parceiro gestor.