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A Associação Caatinga participou do Congresso Brasileiro de Ornitologia (CBO), realizado em São Luís, no Maranhão, nos dias 20 a 24 de setembro. Representando a instituição, a analista de projetos socioambientais, Ariane Ferreira, apresentou no evento um estudo sobre os resultados de um ano de monitoramento de caixas-ninho instaladas para auxiliar no estabelecimento dos periquitos cara-suja (Pyrrhura griseipectus) na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA).

O periquito cara-suja está ameaçado de extinção e começou a ser reintroduzido na RNSA em 2024 por meio do projeto “Refaunar Arvorar”,  realizado pela Associação Caatinga e pela Aquasis, em parceria com o Parque Arvorar do grupo Beach Park. 

A Reserva Natural Serra das Almas (RNSA) é uma unidade de conservação localizada entre Crateús, no Ceará, e Buriti dos Montes, no Piauí. A reserva é gerida pela Associação Caatinga e conta com 6.285 hectares de Caatinga preservada, sendo considerada a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Ceará.

Decorrências da pesquisa

O estudo buscou identificar quais outras espécies usaram as caixas-ninho e investigou casos de competição e de predação nessas estruturas. Os dados contribuíram para documentar as interações ecológicas associadas às caixas e subsidiar o manejo da população reintroduzida.

O trabalho registrou a primeira reprodução da espécie na natureza depois do início da reintrodução. Também identificou as espécies que ocuparam as caixas-ninho e os predadores de periquitos adultos e filhotes.

“Os resultados mostram os desafios de formar uma população de uma espécie que foi extinta na região. As aves disputam as cavidades com outras espécies e sofrem com predadores. Por isso, precisamos seguir monitorando e ajustando o manejo conforme os resultados. Assim, orientamos as ações de conservação e melhoramos as estratégias de reintrodução de aves ameaçadas”, explica Ariane.

Congresso reuniu pesquisas de todo o país

O CBO é um dos principais encontros científicos sobre aves no Brasil. Reúne pesquisadores, profissionais e interessados em aves, para discussões sobre biodiversidade e conservação da natureza. Em 2026, o tema do evento foi “A Ornitologia no Antropoceno: da história natural à revolução digital”. 

Simpósios, sessões orais, mesas-redondas e apresentações de pôsteres promoveram a integração entre pesquisa científica e estratégias de conservação diante de desafios como as mudanças climáticas, a urbanização e a perda de biodiversidade.

“Por ter sido realizado no Nordeste brasileiro, o congresso também proporcionou contato com pesquisas relacionadas às aves e à Caatinga, embora tenham sido identificados relativamente poucos trabalhos especificamente voltados à reintrodução de espécies.”, complementa Ariane.

A programação do evento incluiu bioacústica, manejo, comportamento, ecologia urbana, ecotoxicologia, doenças, taxonomia, mudanças climáticas e fragmentação de habitats. Essa diversidade de abordagens permitiu conhecer estudos de várias regiões do Brasil e de outros países das Américas. 

A participação de pesquisadores internacionais ampliou as possibilidades de intercâmbio e fortalecimento de redes de colaboração, além de contribuir para a divulgação do trabalho desenvolvido pela Associação Caatinga e seus parceiros em prol da conservação da biodiversidade e da reintrodução de espécies ameaçadas.