Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Escola de Ensino Médio Johnson (EEMJ) inaugurou o viveiro de mudas nativas da Caatinga nessa quarta-feira (5). Localizado no bairro Guararapes, o colégio agora conta com a estrutura de plantio que pode produzir até 123 mil plantas por ano. A iniciativa faz parte de uma parceria entre a Associação Caatinga, a empresa SC Johnson e a United Way Worldwide (UWW). 

A cerimônia foi marcada por muita festa e música por parte dos estudantes, além de uma apresentação sobre a visita dos alunos à Reserva Natural Serra das Almas. O coordenador da Associação Caatinga, Daniel Fernandes, esteve presente no evento, acompanhado do diretor financeiro dFIEC e presidente do Sindcarnaúba, Edgar Gadelha. Também esteve presente Flávia Vasconcelos, representante da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) e Rafael Augusto, da Junior Achievment. 

Com o intuito de envolver os estudantes nas causas ambientais, a gestão do viveiro será comandada pelos próprios alunos. Para Vanessa Grippe, diretora da escola, essa é uma “experiência muito rica, pois agora os estudantes estão realmente vivenciando essa concepção ecológica porque foram à Serra das Almas e agora vão conviver diariamente com esse viveiro”. 

A estufa também irá unir ciências ambientais com educação de negócios.  Os alunos vão receber auxílio sobre gestão financeira e empreendedorismo através da organização social Junior Achievement. Espera-se que a comercialização das mudas ocorra com facilidade e os estudantes usem os conhecimentos desenvolvidos nas suas respectivas carreiras profissionais. Daniel Fernandes comenta sobre a importância dessa união: “quando um projeto combina sensibilização ambiental com gestão de negócios, pode ter certeza que quem partipar dessa ação vai ter uma perspectiva diferente de futuro, mais preocupado com a natureza e não apenas com o lucro, principalmente os jovens da escola que ainda estão decidindo quais carreiras vão seguir”.

Inicialmente o projeto do viveiro surgiu a partir de uma concessão da Unite Way Worldwide (UWW) em nome da generosidade da SC Johnson, empresa multinacional que instalou painéis solares que geram 100% da energia da Escola Johnson. Já a UWW é uma organização filantrópica presente em mais de 41 países ao redor do mundo. 

Uma homenagem em cordel

Inspirado na viagem realizada por Samuel Johnson em 1935, reeditada por Samuel Johnson em 1998 (que culminou no surgimento da Associação Caatinga), o estudante Laurick Amarílio, do 2º ano do ensino médio, escreveu o seguinte cordel que foi recitado durante o evento:

Uma história vou contar
Quem quiser que bata palmas
Se passa no Ceará
Crateús, Serra das Almas 

Começou no estrangeiro
Quando um americano
Cismou que era aventureiro
Com um anfíbio aeroplano 

Com seu tino, seu tutano
E sua carcaça de alumínio
Seu Sam Johnson foi viajando
Com seu próprio patrocínio 

Tantas voltas avoou
Volta e meia um atoleiro
Mas onde ele apaziguou
Foi no solo brasileiro 

No Ceará se enamorou
De uma planta sem igual
Palmeira que se destacou
Nesse nosso matagal 

Essa planta ele não vira
Nem n’América nem Cuba
Pois eu digo, num é mentira
Era ela a carnaúba 

Mas voltando aqui à Serra
Seu negócio lá fazia
Sempre cuidando da terra
À qual muito agradecia 

Bela feita encasquetou
Que agradecer não chegava
Pois uma escola fundou
Que Fortaleza precisava 

Muito bem, aqui estamos
Nessa inauguração
Do viveiro que plantamos
Com toda nossa gratidão 

Tem até esses vercin
Que não lhe fazem justiça
Só que juro que no fim
Não é só pra encher linguiça 

Nossa história aqui termina
Certos que quando se rega
A semente que germina
É a gente que carrega 

Laurick foi um dos estudantes que visitou a Reserva Natural Serra das Almas. Segundo ele, a experiência foi surpreendente. ‘Era tudo muito verde, uma coisa que a gente não tem tanta percepção na Caatinga por que a gente lembra da caatinga uma coisa mais morta, uma coisa cinza, e quando a gente chega lá e vê uma floresta verde, assusta, né? Mostra realmente o que é a Caatinga”, disse. 

 Apoio da Secretaria do Meio Ambiente

Flávia Vasconcelos, orientadora da cédula de política de fauna e flora da SEMA esteve presente no evento para representar Arthur Bruno, atual secretário da pasta. Segundo Flávia, um dos propósitos da SEMA é executar “a política de educação ambiental no Estado, então é interessante que todas as escolas estejam engajadas com essas ações relacionadas à proteção do meio ambiente tanto no sentido formal quanto informal. ”