II Expedição para proteção do Tatu-bola

Entre os dias 23 a 29 de agosto, um grupo de pesquisadores regressaram às redondezas do Rio Poti em busca do menor tatu do Brasil, o Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus). O motivo do retorno foi a II Expedição Tatu-bola ao Cânion do Rio Poti, a jornada teve como objetivo identificar exemplares do animal em áreas ainda não percorridas da região, assim como complementar dados biológicos coletados na primeira expedição, que ocorreu em meados de 2016. 

O Tatu-bola é um animal presente na Caatinga e em algumas florestas do Cerrado brasileiro. A espécie está ameaçada de extinção e foi categorizado pela lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como Vulnerável e Em Perigo na lista vermelha de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente (MMA). A ideia do Projeto Tatu-bola é tirar a espécie da lista de animais ameaçados de extinção e torná-la símbolo de proteção do bioma Caatinga.

A excursão contou com a parceria de pesquisadores do Instituto Tamanduá, Alexandre Martins e Karina Molina, biólogos com experiência de campo em Xenarthras, no apoio das capturas e levantamento de fauna; Filipe Reis, biólogo e diretor de mamíferos do Zoológico de Brasília; Gustavo Fonseca, fotógrafo do National Geographic Channel; Flávia Miranda, veterinária e coordenadora da expedição em parceria com a Associação Caatinga; e Rubens Luna,  gerente do Centro de Educação Ambiental (CEA) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar), no Piauí, o qual facilitou o diálogo com moradores locais. 

Segundo Flávia Miranda “nessa expedição vamos estar comparando os dados anestésicos, de biologia e veterinária com a campanha anterior aumentando o número amostral da espécie, preparando artigos científicos e investigar uma área que não foi percorrida na expedição anterior. Examinando a outra margem do Cânion do Poti poderemos avaliar se há ocorrência da espécie por lá ou se o Cânion é uma barreira natural para o animal.”

Além da coleta de dados técnicos, a equipe aproveitou a oportunidade para realizar ações de educação ambiental em escolas das comunidades da região. O intuito foi intensificar a campanha sobre a importância da preservação da espécie e de seu habitat. A atenção nos diálogos se volta para o avanço do desmatamento na Caatinga e a caça desses animais. 

O tatu-bola é uma presa frágil para caçadores, pois ao perceber qualquer barulho, simplesmente se enrola em sua carapuça e ali permanece inerte. Consegue se livrar de predadores naturais porque o casco é duro, mas por um ser humano é facilmente apreendido. 

Resultados

Todas as expectativas da jornada foram alcançadas com sucesso. A interação com as comunidades foi excelente e foram encontrados três exemplares fêmeas de tatu-bola, os quais foram devidamente analisados. A ocorrência consolida a região do parque do Cânion do Rio Poti como seu habitat por excelência, um fator que deverá ser considerado na elaboração e execução do Plano de Manejo do parque. Futuros trabalhos científicos também serão apresentados ressaltando a importância de se trabalhar a sustentabilidade na região. 

Parceria Associação Caatinga e Zoológico de Brasília

O Zoológico de Brasília desenvolve o Programa de Reprodução para Conservação. A proposta desse programa é desenvolver estratégias de conservação e recuperação da fauna proporcionando um ambiente adequado de vida e reprodução para perpetuação de espécies que não tem condições de permanecer na natureza e às espécies que estão sofrendo ameaça pela dificuldade de se manter em seu ambiente natural, o que tecnicamente é chamado de conservação ex situ.

Filipe Reis, um dos responsáveis pela parceria entre Associação Caatinga e Zoológico de Brasília e diretor de mamíferos do mesmo, teve uma missão especial nesta edição da expedição. A ideia foi ambientá-lo ao habitat do tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) e conhecer seus hábitos, assim como todo o trabalho em campo a fim de contribuir da melhor forma essas informações com as espécimes em cativeiro. No Zoológico encontra-se o único exemplar do mundo em cativeiro do tatu-bola (Tolypeutes tricinctus).

I Expedição Tatu-bola

Em 2016, pesquisadores mineiros e cearenses passaram 10 dias em campo nos municípios de Buriti dos Montes, Castelo do Piauí e São Miguel do Tapuio, onde foi possível encontrar cinco espécimes do animal, dispersos em três localidades.

A busca resultou em importantes informações para os estudos da espécie. Os dados foram peças-chave que contribuíram para a criação do Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, em 2017. A expedição também resultou em um documentário onde foi mostrado todo o passo-a-passo da aventura e está disponível no canal da Associação Caatinga no YouTube.

Programa Tatu-bola

A II Expedição Tatu-bola ao Cânion do Rio Poti é uma campanha que faz parte do Programa de Conservação do Tatu-bola, patrocinado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e realizado pela Associação Caatinga. O Programa tem como objetivo proteger tanto o tatu, como seu habitat promovendo ações para identificar locais de ocorrência atual do tatu-bola, propriedades rurais na Caatinga com potencial para a criação de Unidades de Conservação e realizar oficinas de sensibilização junto às comunidades para que ajudem na proteção do animal. 

Além disso, o Programa contribui ainda para a criação de corredores ecológicos na área de estudo, a conservação de inúmeras espécies de fauna e flora, a proteção de nascentes e demais recursos hídricos e ajuda na mitigação de efeitos potencializadores do aquecimento global e enfrentamento do processo de degradação e desertificação na Caatinga.

Vida longa ao Tatu-bola!!!