O Tatu-Bola-da-Caatinga é o menor e menos conhecido tatu do Brasil. Foto: Gustavo Fonseca / RASTRO

Há quatro anos a Associação Caatinga, em parceria com a Fundação Grupo Boticário, lançava o Programa de Conservação do Tatu-Bola. O projeto buscava desenvolver iniciativas socioambientais em defesa do Tatu-Bola-da-Caatinga (Tolypeutes tricinctus) em regiões com potencial para criação de Unidades de Conservação.

Em 2019 o Programa de Conservação do Tatu-Bola chegou ao fim, mas antes deixou um legado de feitos e projetos em benefício da espécie. Durante os quatros anos de atividades, colaboradores da Associação Caatinga levantaram dados sobre o mamífero em regiões próximas ao Cânion do Rio Poti, uma fenda geológica situada na serra da Ibiapaba, entre o Piauí e o Ceará.

O programa organizou duas expedições científicas ao rio. No decorrer dessas missões os colaboradores coletaram dados biológicos (fezes, enxertos de pele, sangue etc) de Tatus-Bola com o propósito de analisar o nível de conservação e a saúde da população da espécie.  Flavia Miranda, coordenadora do programa conta que “nós fazemos esse trabalho porque lá (Cânion do Rio Poti) é o ponto mais ao norte que tem da espécie, além de ser uma área de Caatinga preservada extremamente importante”.

*Ao serem capturados, os pesquisadores mediram os Tatus e coletaram os dados necessários. (Foto: Gustavo Fonseca/Rastro)

Durante as viagens, escolas e comunidades da região receberam atividades educativas sobre o status de conservação do mamífero. Segundo a União Internacional para Conservação da Natureza, a situação do Tatu-Bola é vulnerável. Expectativas mais pessimistas afirma que o Tolypeutes tricinctus pode desaparecer em até 50 anos.

Um documentário audiovisual sobre a primeira expedição também foi produzido. Na obra, o público descobre como foram realizadas as ações de captura do animal e quais os propósitos do programa.

Após as expedições uma proposta de criação de Unidade de Conservação federal foi elaborada pela Associação Caatinga. A ideia é estabelecer territórios protegidos em áreas de ocorrência do Tatu-Bola-da-Caatinga. A proposta foi apresentada ao ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e aos órgãos ambientais do Piauí e Ceará.

Além disso, os dados coletados e o material produzido durante o programa contribuíram com a criação do Parque Estadual do Cânion do Rio Poti. Desenvolvido em outubro de 2017 pelo Governo do Estado do Piauí, a unidade possui quase 25 hectares de extensão e guarda área com fauna e flora de Caatinga e artes rupestres milenares.

Apesar do foco principal no Tatu-Bola, a proposição e criação dessas unidades vão beneficiar toda a biodiversidade do local. Samuel Portela, coordenador técnico da Associação Caatinga esclarece que as reservas ambientais “vão contribuir com a conservação não só do Tatu-Bola, mas também das outras espécies que vivem no mesmo ambiente já que é uma área bastante rica de fauna e de flora”.

Parceria com a Fundação Grupo Boticário

Desde 2003 a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza trabalha em parceria com a Associação Caatinga em iniciativas de conservação. Segundo Malu Nunes “o apoio ao Programa Tatu-bola faz parte dos nossos esforços para ampliar pesquisas, políticas públicas e outras ações em prol da Caatinga, bioma que está ameaçado e que carece de medidas efetivas de proteção de sua singular biodiversidade”. Ao longo de seus 25 anos de existência, a Fundação financiou quase 1.500 iniciativas socioambientais em todas as regiões do Brasil.

O Programa de Conservação do Tatu-Bola faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-Bola, política pública federal criada em 2014 com o apoio do ICMBIO. Dentro do PAN foram estabelecidas 38 ações para a reduzir o risco de extinção do Tolypeutes tricinctusaté 2019. Desse total, seis ficaram sob responsabilidade da Associação Caatinga. Com o apoio da Fundação Grupo Boticário foi possível implementar essas ações através do Programa.