Qual é papel da Caatinga na biodiversidade do Brasil?
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O Brasil é um país de grandes proporções: ocupa 8.516.000 km² de extensão e abrange quase metade da América do Sul. Em toda sua extensão, o Brasil abrange uma grande variedade de biodiversidade, sendo refletido em nossos biomas, a riqueza da flora e fauna existente em nosso país.

No território brasileiro concentramos 06 biomas, cada um com suas características: a Floresta Amazônia, é a maior floresta tropical úmida; o Pantanal, é a maior planície de inundação; o Cerrado, é a savana mais rica do mundo; Já a Caatinga, é a região semiárida mais biodiversa do planeta; os campos de Pampas impressionam com sua vegetação e estações do ano bem definidas; e a Mata Atlântica, é considerada um dos biomas mais ricos do planeta. Possuímos também um longo espaço marítimo, de 3.500.000 km², que inclui ecossistemas de recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.

Em números, o Brasil detém 20% da biodiversidade do planeta e 30% das florestas tropicais, segundo a FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura). Ao total, existem mais de 116.839 espécies de animais e 46.355 espécies vegetais registradas. Mas não é só de fauna e flora que vive a nossa riqueza, o Brasil abriga uma rica sociobiodiversidade, constituída por mais de 200 povos indígenas e diversas comunidades, que incluem: quilombolas, caiçaras e seringueiros, os quais possuem imensurável conhecimento acerca da conservação da biodiversidade. 

Caatinga: bioma exclusivamente brasileiro rico em biodiversidade

A Caatinga abrange 10% de todo o território brasileiro e é o único bioma cujo as fronteiras não se estendem para outros países, o que significa que grande parte do patrimônio biológico dessa região não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo além do Nordeste do Brasil. 

Estendendo-se por cerca de 735.000 km², este bioma é um mosaico de arbustos espinhosos, cactos, bromélias e florestas. A Caatinga cobre a maior parte dos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e a parte nordeste de Minas Gerais. 

Ao analisar seus recursos hídricos, como rios, lagos, açudes, aquíferos etc, aproximadamente 50% das terras recobertas com a Caatinga são de origem sedimentar, ou seja, as rochas e os solos desgastados pela erosão, sofreram, com o passar dos anos, a ação de agentes transportadores, como a água e o vento. Séculos depois, esse material transformou-se no solo da Caatinga, compactado em fragmentos. Sendo assim, a região é rica em águas subterrâneas e seus rios, em sua maioria, são intermitentes (rios que secam nos períodos de estiagem) e o volume de água, em geral, é limitado.

Apesar de ter sido descrita como um ecossistema pobre em espécies e endemismos (fenômeno no qual uma espécie ocorre somente em determinada região), estudos recentes têm desafiado esse ponto de vista e demonstrado a importância da Caatinga para a conservação da biodiversidade brasileira. 

Já foram registradas 3.150 espécies de plantas vasculares, 548 aves, 386 peixes, 276 formigas, 167 répteis e 98 anfíbios e 148 mamíferos. O nível de endemismo nesses grupos varia de 6% entre mamíferos a 52,9% entre os peixes, o que reflete valores altos se comparados com outras florestas secas do mundo. Supõe-se que seu número real de espécies é ainda maior, visto que uma quantidade significativa da região ainda não foi estudada de forma eficiente.

Afinal, o que é Biodiversidade? 

O termo “Biodiversidade” é utilizado  como sinônimo de “Diversidade Biológica” e foi criado em 1986, no 1º Fórum Americano Sobre Diversidade Biológica. A biodiversidade nada mais é do que a diversidade entre organismos vivos. Isto inclui tanto as diferenças entre espécies que existem na flora e fauna, quanto a diferença entre indivíduos de uma mesma espécie. 

A biodiversidade está em todo o planeta, porém, algumas características dos biomas e ecossistemas interferem diretamente na diversidade biológica de uma região. Condições climáticas, altitude, frequência e quantidade de chuvas, temperatura, tipo de solo, exposição ao vento e regime de incêndios são, em diferentes escalas, exemplos de fatores que causam essas diferenças. Por isso temos ecossistemas tão distintos quanto uma floresta e um deserto. E todos são importantes e devem ser preservados.

Texto por Aidee Araújo de Oliveira, Irene Moltino e Najila Victória Monteiro Silva.